Amar com medo: a ausência que reativa o abandono.
A Maria (nome fictício) nunca gostou de dormir sozinha, mas nos últimos anos o desconforto tornou-se quase insuportável. Sempre que o marido viaja em trabalho, a casa enche-se de silêncios que pesam no corpo. Sente sempre o estômago apertado, o peito em tensão e a cabeça cheia de imagens catastróficas: acidentes, traições, abandonos… Racionalmente, sabe que ele volta, mas isso não chega para acalmar o medo e a ansiedade. É como se a ausência dele reativasse, sem aviso, memórias antigas de quando ficar sozinha significava sentir-se desaparada e desprotegida.
E, ainda assim, poucos percebiam — nem ela própria — que aquilo que sentia tinha nome: ansiedade de separação na vida adulta.